Obesidade: realidades e indagações
Ades, L., & Kerbauy, R. R. (2002)
O estudo teve como objetivo fazer um levantamento da literatura disponível acerca dos tratamentos utilizados para a obesidade. Para tanto, artigos sobre intervenções comportamentais, tratamentos fisiológicos e tratamentos multidisciplinares foram utilizados. Os resultados indicam que independente da abordagem utilizada para o tratamento da obesidade - reforçadores, atividade física, apoio social, ingestão e gasto calórico e procedimentos físicos - é necessário considerar a complexidade, a multifatorialidade e a individualidade da ocorrência dessa condição para cada indivíduo acometido por ela. De outra forma, tornam-se superficiais e, se utilizados isoladamente, ineficazes e insuficientes.
O estudo aponta diversas formas de tratamento da obesidade disponíveis atualmente. Levanta a questão da necessidade das áreas de conhecimento trabalharem em conjunto de forma a tornar as intervenções mais completas, complexas e capazes de lidar com o fenômeno. O estudo explicita a necessidade de se conhecer a fundo os reforçadores envolvidos no comportamento alimentar do indivíduo que sofre de obesidade, fator determinante para uma intervenção eficaz. A revisão litarária realizada mostra que as intervenções não realizadas desta forma tendem a ter curta eficácia. Esta indicação se aproxima da elaboração de análises funcionais as quais permitirão um tratamento não superficial e, provavelmente, pouco duradouro, independente de qual abordagem foi utilizada. Análises funcionais são práticas do analista do comportamento nas quais este busca aspectos do contexto do indivíduo que possuem relação de predição e dependência com o comportamento do indivíduo. Dessa forma, ele encontra padrões de comportamento, repetições, no repertório comportamental da pessoa. Exemplo seria perceber que toda vez que o indivíduo fica muito tempo sem comer ele se alimenta de maneira exagerada em quantidade sente um grande alívio da fome. Sabendo disso, a multidisciplinariedade aproxima-se mais do sucesso da intervenção por permitir essa análise aprofundada de todos os profissionais, inclusive do psicólogo.
Referência:
Ades, L., & Kerbauy, R. R. (2002). Obesidade: realidades e indagações. Psicologia USP, (13)1.
Blog dedicado a fornecer informações sobre obesidade e temas relacionados. Para tanto, a abordagem da Análise do Comportamento será utilizada como base de compreensão do fenômeno.
domingo, 29 de agosto de 2010
Relato de Pesquisa 1
Do behavioral treatments of obesity last? A five-year follow-up investigation. (Tratamentos comportamentais para a obesidade duram? Uma investigação acompanhamento de cinco anos.)Stalonas, P. M., Perri, M. G., & Kerzner, A. B. (1984).
O estudo de Stalonas, Perri, e Kerzner (1984) foi realizado com objetivo de investigar a longevidade dos efeitos da intervenção comportamental nos tratamentos da obesidade e a aderência a longo prazo às estratégias ensinadas. Para tanto, um acompanhamento de cinco anos foi realizado. Trinta e seis dos 44 sujeitos participantes do programa comportamental de controle de peso, realizado em 10 semanas, foram entrevistados. Neste programa, quatro grupos foram formados: autocontrole, autocontrole+exercícios, autocontrole+controle de contingências, autocontrole+controle de contingências+exercícios. Ainda que todos os participantes de todos os grupos tenham perdido peso ao longo do programa, os resultados indicam que a maior parte destes recuperaram parte do peso perdido ao longo do tratamento. Ainda que a aderência as técnicas utilizadas no tratamento após este tenha sido baixa, duas se mantiveram após o término desse: comer sempre no mesmo lugar e não repetir o prato. Os sujeitos relataram que o ambiente de trabalho, a família, o cônjuge, o tédio, a raiva, problemas emocionais e a depressão era fortes concorrentes com a manutenção do peso.
Da forma como a intervenção é apresentada, o trabalho realizado ao longo do programa mostrou-se superficial, até mesmo por sua curta duração. A função dos diversos comportamentos envolvidos no tratamento, como alimentar-se em demasia, padrão alimentar hipercalório, pouco repertório de exercitar-se, não foi buscada, ou seja, somente os comportamentos-problema, ou comportamentos-alvo, foram foco da intervenção. A função diz respeito à aspectos do contexto do indivíduo os quais esse comportamento tem relação de dependência. Por exemplo, sempre que encontra com um determinado amigo, o indivíduo sai para comer em um rodízio e este amigo relata gostar muito de sair com ele. A função do comportamento de comer muito/sair para comer seria o prazer que o momento com o amigo o proporciona e o relato do mesmo por parte do amigo. Dessa forma, se essa relação de dependência não é estudada e a intervenção não é elaborada de acordo com ela, é esperado que os repertórios anteriores à intervenção sejam recuperados já que esta se mostrou superficial e não de acordo com aquela relação estabelecida entre o comer e o amigo. O estudo não trabalhou de forma abrangente formas de lidar com situações cotidianas na vida dos participantes. No entanto, ensinou formas de lidar diretamente com a comida e exercícios físicos (alguns grupos), o que já é um grande ganho para quem precisa perder peso.
Referência:
Stalonas, P. M., Perri, M. G., & Kerzner, A. B. (1984). Do behavioral treatments of obesity last? A five-year follow-up investigation. Addictive Behaviors, 9, 175-183.
O estudo de Stalonas, Perri, e Kerzner (1984) foi realizado com objetivo de investigar a longevidade dos efeitos da intervenção comportamental nos tratamentos da obesidade e a aderência a longo prazo às estratégias ensinadas. Para tanto, um acompanhamento de cinco anos foi realizado. Trinta e seis dos 44 sujeitos participantes do programa comportamental de controle de peso, realizado em 10 semanas, foram entrevistados. Neste programa, quatro grupos foram formados: autocontrole, autocontrole+exercícios, autocontrole+controle de contingências, autocontrole+controle de contingências+exercícios. Ainda que todos os participantes de todos os grupos tenham perdido peso ao longo do programa, os resultados indicam que a maior parte destes recuperaram parte do peso perdido ao longo do tratamento. Ainda que a aderência as técnicas utilizadas no tratamento após este tenha sido baixa, duas se mantiveram após o término desse: comer sempre no mesmo lugar e não repetir o prato. Os sujeitos relataram que o ambiente de trabalho, a família, o cônjuge, o tédio, a raiva, problemas emocionais e a depressão era fortes concorrentes com a manutenção do peso.
Da forma como a intervenção é apresentada, o trabalho realizado ao longo do programa mostrou-se superficial, até mesmo por sua curta duração. A função dos diversos comportamentos envolvidos no tratamento, como alimentar-se em demasia, padrão alimentar hipercalório, pouco repertório de exercitar-se, não foi buscada, ou seja, somente os comportamentos-problema, ou comportamentos-alvo, foram foco da intervenção. A função diz respeito à aspectos do contexto do indivíduo os quais esse comportamento tem relação de dependência. Por exemplo, sempre que encontra com um determinado amigo, o indivíduo sai para comer em um rodízio e este amigo relata gostar muito de sair com ele. A função do comportamento de comer muito/sair para comer seria o prazer que o momento com o amigo o proporciona e o relato do mesmo por parte do amigo. Dessa forma, se essa relação de dependência não é estudada e a intervenção não é elaborada de acordo com ela, é esperado que os repertórios anteriores à intervenção sejam recuperados já que esta se mostrou superficial e não de acordo com aquela relação estabelecida entre o comer e o amigo. O estudo não trabalhou de forma abrangente formas de lidar com situações cotidianas na vida dos participantes. No entanto, ensinou formas de lidar diretamente com a comida e exercícios físicos (alguns grupos), o que já é um grande ganho para quem precisa perder peso.
Referência:
Stalonas, P. M., Perri, M. G., & Kerzner, A. B. (1984). Do behavioral treatments of obesity last? A five-year follow-up investigation. Addictive Behaviors, 9, 175-183.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Técnicas Comportamentais
IMPORTANTE: É recomendável reler o post anterior acerca da utilização de técnicas comportamentais de forma isolada.
Técnicas Comportamentais no Tratamento da Obesidade
Os objetivos da intervenção psicológica de base Analítico Comportamental vão de encontro aos dos demais profissionais envolvidos: perda de peso. Isso envolve redução da ingestão calórica e aumento do gasto calórico.
As mais comuns são:
Técnicas Comportamentais no Tratamento da Obesidade
Os objetivos da intervenção psicológica de base Analítico Comportamental vão de encontro aos dos demais profissionais envolvidos: perda de peso. Isso envolve redução da ingestão calórica e aumento do gasto calórico.
As mais comuns são:
- Auto monitoramento: Consiste em formas de manter o cliente em contato com suas práticas alimentares e físicas. É muito comum utilizar um registro, tal como um diário alimentar, onde todo o alimento ingerido, horário de ingestão e quantidade é registrado, assim como a prática de exercício físico.Dessa forma, torna-se mais visível para o cliente suas práticas alimentar e física.
- Estabelecimento de metas: Estudos na área da Análise do Comportamento mostram que a modificação gradual do comportamento é mais eficaz do que mudanças abruptas, incompatíveis com o repertório comportamental disponível do indivíduo. O estabelecimento de metas envolve repartir o objetivo final em pequenos passos, de forma a levar o indivíduo a pequenos sucessos até que se alcance o sucesso final. A esse exemplo, ao invés de iniciar atividades físicas diárias após anos de sedentarismo, exercitar-se duas vezes por semana já seria uma grande conquista se comparado ao nível anterior.
- Controle de estímulos: Visa modificações ambientais que facilitem a aquisição de novos repertórios que vão de encontro com a perda de peso. A exemplo disso, deixar de estocar alimentos hipercalóricos em casa seria uma estratégia.
- Suporte social: busca de pessoas com objetivos semelhantes. É muito comum que programas de intervenção tenham encontros grupais também. Dessa forma o indivíduo partilha seus objetivos, recebe apoio e reconhecimentos, de forma que o motiva a continuar.
- Reforçamento: Estudos mostram que comportamentos seguidos imediatamente de consequências reforçadoras (que aumentam a probabilidade de ocorrência dessa mesmsa resposta no futuro) tendem a repetir e aumentar em frequência no repertório do indivíduo. Dessa forma, o reforço social é muito importante para o alcance das metas estabelecidas para o emagrecimento. Reconhecimento, elogios são exemplos desse. Porém, ainda mais eficazes são os reforços naturais, intrínsecos ao próprio emagrecimento, práticas de exercício físico e redução da ingestão calórica. Seriam estes a própria perda de peso, redução de medidas, saúde e bem estar físico e emocional e etc.
Intervenções Comportamentais no Tratamento da Obesidade
Em seus princípios, o tratamento da obesidade realizado por um Analista do Comportamento Clínico assemelha-se a qualquer outra de suas práticas. Em terapia, análises funcionais são realizadas em busca de eventos desencadeadores do comportamento de comer excessivamente e/ou pouca realização de exercícios físicos e os eventos consequentes que mantém tais comportamentos ou os suprime. De outra forma, se somente técnicas são utilizadas e a obesidade tratada como único foco, é bastante provável que o tratamento se torne superficial e de eficácia somente a curto prazo. A chamada "substituição de sintomas" se encaixaria em tal prática. Ensina-se ao indivíduo como alimentar-se bem e praticar exercícios por meio de técnicas comportamentais, porém não encontra-se e trabalha-se a função desse comer e desse não se exercitar. É preciso instalar novos repertórios de comportamento que vão de encontro com objetivos compatíveis com as práticas saudáveis de emagrecimento, sem perder de vista o indíviduo como um todo. De maneira análoga o faz o médico que trata da alergia cutânea sem buscar as causas para tal e possíveis modificações a serem feitas para que estas não mais culminem em uma alergia.
É preciso enxergar o indivíduo além de sua condição de obeso.
É preciso enxergar o indivíduo além de sua condição de obeso.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Como calcular o IMC?
O IMC, índice de massa corporal, é a medida mais utilizada atualmente para determinar peso ideal. Essa medida é calculada da seguinte forma:
A tabela abaixo ilustra o tema acima:
Ainda que não diferencie massa gorda de massa magra do organismo do indivíduo, é
Apesar de não discriminar os componentes gordo e magro da massa corporal total, o IMC é o método mais utilizado para avaliação do grau de risco associado à obesidade, já que diversos estudos demonstram uma íntima relação entre IMC aumentado e risco de doenças.
O que significa o número correspondente ao seu IMC?
Até 18,4 kg/m2:
Peso abaixo do normal.
18,5 a 24,9:
Peso considerado normal pela Organização Mundial de Saúde. Esta faixa vai de 18,5 a 24,9 de índice de massa corporal (IMC). Algumas pessoas, no entanto, já podem ter um maior risco de problemas metabólicas mesmo dentro desta faixa, principalmente se acumularem gordura na região interna do abdome. Uma maneira simples de avaliar isto é medir a circunferência da cintura. Mais de 80 cm de cintura em mulheres e 94 cm em homens podem indicar um possível excesso de gordura no interior do abdome.
24,5 a 29,9:
Peso dentro da faixa chamada de pré-obesidade pela Organização Mundial de Saúde. Sabe-se que este peso já pode representar um risco considerável para a saúde.
30,0 a 34,9:
Obesidade grau I de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Esta faixa vai de 30 a 34,9 kg/m2 de IMC. Há um risco aumentado para várias doenças, incluindo o diabetes, a hipertensão arterial, o infarto do miocárdio e diversos tipos de câncer.
35,0 a 39,9:
Obesidade grau II de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Esta faixa vai de 35 a 39,9 kg/m2 de IMC.Há também o risco aumentado de desenvolver as doenças supracitadas.
40 ou mais
Obesidade grau III, ou obesidade mórbida de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Esta categoria engloba todos as pessoas com mais de 40 kg/m2 de IMC. Há um risco altíssimo para as várias doenças, supracitadas. A obesidade neste grau é considerada uma doença grave e necessita ser tratada com todos os recursos disponíveis, incluindo os remédios e a cirurgia bariátrica. P
Além do IMC, as medidas de circunferência, cintura e quadril e dobras cutâneas são também utilizadas para avaliação da massa corporal.
Os riscos que correm os obesos
Problemas médicos que acometem mais frequentemente pessoas obesas do que pessoas com peso considerado normal:
- Diminuição da tolerância ao calor;
- Diminuição da tolerância ao exercício físico;
- Aumento da pressão arterial;
- Aumento da pressão arterial;
- Aumento do risco para o infarto do miocárdio;
- Doenças da vesícula biliar, principalmente a colecistite aguda e o cálculo de vesícula (colelitíase);
- Diabetes mellitus;
- Comprometimento da função pulmonar;
- Osteoartrite;
- Gota;
- Aumento do ácido úrico no sangue;
- Aumento do colesterol e dos triglicerídios no sangue;
- Menopausa precoce;
- Câncer mamário e do endométrio uterino;
- Problemas emocionais (depressão, angústia, stress);
- Pé chato;
- Dermatite intertriginosa
Obesidade: facilitadores e dificultadores
Fatores que facilitam o aumento de peso
A obesidade não prolonga a vida! Pense: quantos idosos em idade avançada e obesos você conhece?
- Atividade física diminuída;
- Metabolismo basal diminuído;
- Aumento do consumo de comida;
- Aumento do consumo de sacarose;
- Menor consumo de amido e de carboidratos complexos encontrados nos cereais integrais, frutas, legumes, hortaliças;
- Maior consumo de gordura animal (gordura saturada)
- Menor consumo de fibras vegetais
- Maior ingestão de fibras vegetais;
- Maior consumo de frutas, legumes, hortaliças;
- Maior consumo de carboidratos complexos encontrados nos cereais integrais, frutas, legumes e hortaliças;
- Menor consumo de sacarose;
- Menor consumo de gordura animal (saturada);
- Menor consumo de comida;
- Aumento da atividade física diária;
Importante saber:
A obesidade não prolonga a vida! Pense: quantos idosos em idade avançada e obesos você conhece?
- Somente 60% dos obesos atingem a idade dos 60 anos;
- Somente 30% dos obesos atingem a idade de 70 anos;
- Somente 10% dos obesos atingem a idade dos 80 anos;
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